Entendendo as Demências

Entendendo as Demências

A demência é caracterizada pela perda da capacidade cognitiva, isto é, capacidade de pensar, lembrar, ou raciocinar, bem como alterações de comportamento e personalidade, a ponto de causar impacto significativo na vida de uma pessoa.

A demência verdadeira costuma acontecer em pessoas mais velhas, a ponto de que aos 85 anos cerca de metade das pessoas têm algum grau de demência. Até pouco tempo atrás, era comum ouvirmos relatos como “minha tia que está gagá” ou então “tenho um vizinho que está caduco”. Com a popularização da doença de Alzheimer, esses termos têm caído em desuso, até mesmo pelo cunho pejorativo que carregam.

A doença de Alzheimer é, de fato, a principal causa de demência no Brasil e no mundo. Mas muitas pessoas que são ditas portadoras de Alzheimer são, na verdade, portadoras de outras doenças que também causam demência, como doenças neurodegenerativas, transtorno depressivo, esquizofrenia, dentre outros. Portanto, para se chegar a um diagnóstico de doença de Alzheimer, uma minuciosa investigação médica se faz necessária.

O que leva à principal causa de demência, a temida doença de Alzheimer? As alterações encontradas nos cérebros de pessoas com doença de Alzheimer- como emaranhados neurofibrilares, placas senis, perda neuronal e atrofia do cérebro- são provavelmente decorrentes de múltiplos fatores, como genética, estilo de vida, bem como exposição maior ou menor a substâncias tóxicas ao longo da vida. Em um livro bastante polêmico, intitulado “O Fim do Alzheimer”, o neurocientista Dale Bredesen descreve 36 possíveis fatores associados com essa doença, que, segundo ele, se forem tratados ou corrigidos de forma precoce, podem evitar a progressão ou até mesmo recuperar de alguma forma a perda cognitiva em curso, mas infelizmente suas teorias não são aceitas de forma unânime pois carecem de boa evidência científica.

O tratamento e o cuidado das pessoas portadoras de doença de Alzheimer deve ser individualizado com base nos sintomas. O primeiro passo após o diagnóstico é fornecer treinamento, suporte e recursos ao paciente e à família. Essa notícia geralmente é devastadora e pode suscitar diversas questões sobre o processo da doença, o curso temporal e as potenciais opções de tratamento.

Como trata-se de doença degenerativa, ao longo dos anos a dependência de terceiros para atividades básicas como alimentação e higiene se tornam cada vez maiores. Assim, com famílias cada vez menores, e com rotinas cada vez mais pesadas, as instituições de longa permanência para idosos (ILPIs), ou casas de repouso, são alternativas cada vez mais procuradas pelas famílias. Os antigos asilos saem de cena, e instituições de primeira qualidade – com equipes multiprofissionais, qualificadas, que colocam os cuidados com o idoso e sua família como principal valor de trabalho- ganham cada vez mais espaço e visibilidade em nossa sociedade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*
*

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.